Hoje não tenho forças
nem inspiração ou ainda vontade
para escrever um verso
Hoje não...
portanto escrevo um sub-verso
subversivo,
o que jamais submisso
hoje e só hoje
submetido
ou ainda
subsumido a ela
A bela, a rainha das feras
Hoje e só hoje
a tristeza não vai acabar
essa madrugada
sou solitário como a lua,
vazio como a rua, turbulento
e agitado como noite-de-bar
Hoje e só hoje
a alegria demente não vai me alcançar
Nessa noite, de certo não será em vão
como nunca outrora o fizera
olharei dentro do seu temível olhar
e á uma dança pedirei sua mão
essa noite, vou dançar com a solidão
Hoje não tem poésia
tudo é paixão
ou devo dizer...
tudo é frustração
Hoje é a dança da ausência
e a ausência da canção
o soneto do silêncio
com sua métrica vazia
e sua ausente melodia
Hoje é só sub-verso
submerso
suburbano
sub-humano
Surpreendente tal qual
o gostoso e indesejável
sentimento que comigo trago
amargo-o ao passo que trago-o
como a um cigarro,
prazerosa,
lenta
e docemente
E meu grito emudecido na madrugada
hoje e só hoje
ensurdece toda a cidade calada
Hoje praguejo contra
a vida e a morte
pois é noite de sub-verso
Hoje e só hoje é de solidão minha sorte.
F. Massari
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