quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Subverso


Hoje não tenho forças
nem inspiração ou ainda vontade
para escrever um verso

Hoje não...
portanto escrevo um sub-verso
subversivo,
o que jamais submisso
hoje e só hoje
submetido
ou ainda
subsumido a ela

A bela, a rainha das feras

Hoje e só hoje
a tristeza não vai acabar
essa madrugada
sou solitário como a lua,
vazio como a rua, turbulento
e agitado como noite-de-bar

Hoje e só hoje
a alegria demente não vai me alcançar

Nessa noite, de certo não será em vão
como nunca outrora o fizera
olharei dentro do seu temível olhar
e á uma dança pedirei sua mão
essa noite, vou dançar com a solidão

Hoje não tem poésia
tudo é paixão
ou devo dizer...
tudo é frustração

Hoje é a dança da ausência
e a ausência da canção
o soneto do silêncio
com sua métrica vazia
e sua ausente melodia

Hoje é só sub-verso
submerso
suburbano
sub-humano

Surpreendente tal qual
o gostoso e indesejável
sentimento que comigo trago
amargo-o ao passo que trago-o
como a um cigarro,
prazerosa,
lenta
e docemente

E meu grito emudecido na madrugada
hoje e só hoje
ensurdece toda a cidade calada

Hoje praguejo contra
a vida e a morte
pois é noite de sub-verso
Hoje e só hoje é de solidão minha sorte.


F. Massari


Nenhum comentário: