sexta-feira, 25 de julho de 2008

Hino dos grevistas


É nosso dia companhiero,
Nosso e o trabalho de nossos mãos.

Nossas são as maquinas que movemos,
Nossos são os frutos da producão.

Avante vamos, os camaradas,

irmãos de classe, para lutar!


Parando as maquinas falaremos

e a nossa voz se ouvirá.


Avante classe operária
avante todos os oprimidos parando as máquinas e com estas
já caladas
no silêncio dos operários
que se ouça ogrito
é nosso dia camaradas...



(autoria: nossa classe)







terça-feira, 22 de julho de 2008

Contexto


Verdade...

tenho ainda o pesar

que se recosta em minh'alma

a culpa já repousa morta

segue-se a vida torta


Vento soprando nas vivendas da vida

por alamedas, ruas e avenidas

escorre d'alma vermelha, licor de sangue,

Abre-se do corpo as feridas


Ainda que de vida errante,

não permito-me tombar,

desatando em mais vida

no pomar das almas

com todo o mel e dor trazida
Fábio Che


segunda-feira, 14 de julho de 2008

Amizade


Quando conhecemos as pessoas
Aprendemos a percebe-las
Suas atitudes
Suas vicissitudes

Com o tempo e a convivência
Aprendemos a ter paciência
Com os defeitos
Com os trejeitos

Quando consideramos aquela amizade
Percebemos a cumplicidade
O carinho aumenta
A pessoa acrescenta

Ao chegarem os momentos de tensão
Recebemos sempre muita atenção
Ao aparecerem nossos erros
Recebemos sempre palavras duras e muitos conselhos

A amizade é como o amor
Têm pitadas de alegria e dor
É construída
É dividida
Mas, principalmente vivida.

Samara Marino

Os lábios quentes roçavam
úmidos na madrugada

o frio tocava a sua pele
eriçando os seus pêlos

E a pele em poesia
quando a boca calava
desabrochava dizendo nua
versos de arrepio

Pele de poesia viva
com seus pêlos estremecidos
pela brisa morna e sussurrante
treme e impacienta-se
a espera do toque redentor

entre delírios, suplicios
e medo

clama que aquele não seja
o ultimo beijo...

Mas em verdade, esse nem era
seu desejo


Fabio Che



quarta-feira, 25 de junho de 2008

Tempos modernos

Nestes tempos pós-pós-pós,
ou melhor ainda seria dizer,

sem delírios,
simplesmente
modernos

Caminhamos para onde,
aparentemente, o nada nos espera...
Entretanto muito embora as névoas
não se tenham dissípado,
os romantismos estão mortos
(Tal qual os romanticos, porém estes, ainda que mortos recusam-se a tombar)
e as ilusões não mais persistem
Mesmo sem "líderes", como estrelas,
para paternal e tuteladamente lhe guiar
se tiveres a búsola certa saberás se localizar

O que há de mais moderno continua
a ser produzido pelo punho humano- "arcaico" .
Tudo, tudo continua a ser fruto
do trabalho humano concreto,
e socialmente abstrato.


Em teu punho serrado,
de trabalho já cansado,
reside tudo o que existe de fato.



Fábio Che

quinta-feira, 13 de março de 2008

Despedida do educador


(Para o Fórum Nacional de Educadores- FNM)


Quando partes para a vida
parte da vida vai contigo.
Te sigo com o olhar triste
disfarçando a lágrima renitente.

Ensaio, ensimesmado, um sorriso...
Aceno displicentemente para que sigas
confiante e seguro
pelos caminhos que te levam para longe.

Observo-te sumindo na estrada
e guardo a imagem no vazio que deixas:
“faltou dizer-te que...”
sempre falta algo por dizer.

Apesar dos passos imprecisos
no fundo sei que estais pronto.
Fico aqui te acompanhando
pelos caminhos novos em que me levas.

Sim, estais pronto...
Aqui eu permaneço ao seu lado.
Aqui permaneço recomeçando,
como sempre... inacabado.


Mauro Iasi
2008

sexta-feira, 7 de março de 2008

1857

1857...

129 mulheres...
em 8...
em Março...
em Nova York...
eram em verdade 129 Rosas-vermelhas

Ardendo em Claras-chamas
e o fogo que queima corpos
de almas que entranham mundo
Transcendentes
trazem no peito cravada
a flama de vivas-chamas-ardentes

Alexandras

Marias

Kiandas

Vivamente furiosas
ardentes e intensas

Sagradamente profanas
quando odeiam e quando amam

Tudo fazem com gana
fúria que brota de dentro
e antes de brotarfeito feto,
ferve entranhada
em seu ventre

Determinação desenfreada
aos olhos vãos, insana
A mais perigosa das feraspois amor ou ódio
é aquela que dentro de si tudo gera

Ó meu bom patrãose teu Deus (de capital importancia)
quer sacrifícios???
Poi advertimos a ti então
-As mulheres
de nossa classe não moreram em vão

Morreram em tua fábrica 129,
prova de tua vileza
criastes assim a centelha que hoje
como Rosas-de-fogo
operárias de toda a humanidade inflama
Mulher operária para sempre resistente
ó burgues não te engana

Fábio Che



Clara Zetkin

Foi no bojo das manifestações pela redução da jornada de trabalho que 129 tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton, em Nova Iorque, cruzaram os braços e paralisaram os trabalhos pelo direito a uma jornada de 10 horas, na primeira greve norte-americana conduzida unicamente por mulheres. Violentamente reprimidas pela polícia, as operárias, acuadas, refugiaram-se nas dependências da fábrica. No dia 8 de março de 1857, os patrões e a polícia trancaram as portas da fábrica e atearam fogo. Asfixiadas, dentro de um local em chamas, as tecelãs morreram carbonizadas.
Durante a 2ª Conferência Internacional de Mulheres, realizada em 1910 na Dinamarca, a famosa ativista pelos direitos femininos, Clara Zetkin, propôs que o 8 de março fosse declarado como o Dia Internacional da Mulher, homenageando as tecelãs de Nova Iorque.