Quando o pesado muro caiu
Em Berlin
E os primeiros raios da liberdade
Brilharam no céu da ex união, ex soviética
A alegria fora quase geral
Apenas uma parte dos velhos
Olhavam desconfiadamente para
O futuro promissor
Que se anunciava
Os jovens saudavam eufóricos
As novas possibilidades
A sonhada felicidade
E as novas mercadorias
Os industrias saudavam entusiasmados
As novas possibilidades
A nova força de trabalho
Os novos mercados
Sem os entraves anteriores
Tudo cambiou rápido
Até o velho sistema de aquecimento
Sem a burocracia estatal
Fora em pouco tempo
Inteiramente trocado
Por um novo e mais eficaz
Esse era privado
Porém já no primeiro inverno
Do sonho encantado
Descobriram alguns jovens
As contradições de sua sorte
Após queimarem os livros
As estantes
E até mesmo o velho piano
O Frio
Implacável
Continuava
E os convidava
Para a morte
Mas disso os velhos já sabiam.
Fábio Francisco (Massari)
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Os assistidos
As pequenas mudanças
são inimigas das grandes mudanças
O novo requer grandes e radicais
transformações
Ao passo que o velho requer
tão somente reformas
O pouco pão cria o medo
da ausência total de Pão
A fome exige saciedade
e seus portadores a saciam
Dentro ou fora da lei
a favor ou contra a ordem
O bom rei, declarou guerra a fome do povo
Bem soubesse o povo, declararia guerra ao rei bondoso
Fábio Francisco (Massari)
são inimigas das grandes mudanças
O novo requer grandes e radicais
transformações
Ao passo que o velho requer
tão somente reformas
O pouco pão cria o medo
da ausência total de Pão
A fome exige saciedade
e seus portadores a saciam
Dentro ou fora da lei
a favor ou contra a ordem
O bom rei, declarou guerra a fome do povo
Bem soubesse o povo, declararia guerra ao rei bondoso
Fábio Francisco (Massari)
Violência
Emudecida pela mão
Que tapava-lhe a boca
Mal podia respirar,
A outra firmemente
Apertava-lhe o pescoço
Relutava já fora de sí
Quase sem forças
Como desfecho brutal se anuncia o gozo
Fábio Francisco(Massari)
Que tapava-lhe a boca
Mal podia respirar,
A outra firmemente
Apertava-lhe o pescoço
Relutava já fora de sí
Quase sem forças
Como desfecho brutal se anuncia o gozo
Fábio Francisco(Massari)
DR (Distúrbio Romântico)
Escorriam as palavras,
feito sangue naquela madrugada
E as letras, feito gotas
Manchavam as paredes do silêncio
Dos amantes...
Frases inteiras
Feito poças vermelhas
Amontoavam-se no chão
Num canto
A faca da mágoa, de anos
De convívio repousava afiada e úmida
Fábio Francisco(Massari)
feito sangue naquela madrugada
E as letras, feito gotas
Manchavam as paredes do silêncio
Dos amantes...
Frases inteiras
Feito poças vermelhas
Amontoavam-se no chão
Num canto
A faca da mágoa, de anos
De convívio repousava afiada e úmida
Fábio Francisco(Massari)
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Admirável mundo novo
É incrível notar como tudo está mudado
como são inovadores estes novos tempos
Na sociedade pós industrial
tudo é novo
as novas propriedades privadas
novas formas de exploração
as novas taxas de mais valia
novos salários
novos empregos
as novas doenças do trabalho
com seus novos óbitos
os novos patrões
os novos empregados
com suas respectivas
novas riquezas
e novas misérias
os novos habitantes das novas ruas
as novas relações sexo afetivas
as novas posses
as novas famílias, novamente nucleares
as novas opressões
e novíssimas violências
novas repressões
em novas periferias
as novas músicas
os novos programas de tv
o novo consumo, das novas migalhas
as novas crianças que morrem
a cada novo dia
vítimas de uma fome também nova
Só não consigo compreender com essa época
de pós modernidade pode ser tão nova e diferente
e conservar no ar
o odor putrefato do passado
Fábio F. S. Massari
É incrível notar como tudo está mudado
como são inovadores estes novos tempos
Na sociedade pós industrial
tudo é novo
as novas propriedades privadas
novas formas de exploração
as novas taxas de mais valia
novos salários
novos empregos
as novas doenças do trabalho
com seus novos óbitos
os novos patrões
os novos empregados
com suas respectivas
novas riquezas
e novas misérias
os novos habitantes das novas ruas
as novas relações sexo afetivas
as novas posses
as novas famílias, novamente nucleares
as novas opressões
e novíssimas violências
novas repressões
em novas periferias
as novas músicas
os novos programas de tv
o novo consumo, das novas migalhas
as novas crianças que morrem
a cada novo dia
vítimas de uma fome também nova
Só não consigo compreender com essa época
de pós modernidade pode ser tão nova e diferente
e conservar no ar
o odor putrefato do passado
Fábio F. S. Massari
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Enfrentamento
Aos que vem pra rua
Traz tuas mágoas
para juntar-se as nossas
Traz tua voz
e
teu canto
teus anseios
e
demandas
tuas pedras
e
bandeiras
Vem pra rua
Da qual nunca saímos
E oxalá nos permita
tua revolta não seja passageira
Vens reinaugurando as formas
de luta que construímos
Vem, mas vem com gosto
vem com classe
Saiba apenas que não inventas a roda
tão pouco inventas as lutas
O narcisismo de tuas jovens e vibrantes cores
não permitem a ti reconhecer-te
no que e velho e fosco
Mas antes de tu estávamos nós
e antes de nós, guerrilheiros
e antes outros comunistas
e antes ainda os velhos anarquistas
e antes negros quilombolas
antes ainda índios guerreiros
Vem pra rua nego
Mas aprende história
Olha no espelho e verás teu passado
Invade, ocupa as ruas
construímos estas avenidas
para que desfiles teu bloco
e teu samba
Passa com tuas confusas alegorias
ps: Um gigante sem rumo
será sempre dirigido pela pequena burguesia
E lembras que
quando a moda passa
quando o carnaval acaba
Pra fazer do samba a vida
e fazer samba todo dia
só fica a velha boemia
Fabio S. Massari
para juntar-se as nossas
Traz tua voz
e
teu canto
teus anseios
e
demandas
tuas pedras
e
bandeiras
Vem pra rua
Da qual nunca saímos
E oxalá nos permita
tua revolta não seja passageira
Vens reinaugurando as formas
de luta que construímos
Vem, mas vem com gosto
vem com classe
Saiba apenas que não inventas a roda
tão pouco inventas as lutas
O narcisismo de tuas jovens e vibrantes cores
não permitem a ti reconhecer-te
no que e velho e fosco
Mas antes de tu estávamos nós
e antes de nós, guerrilheiros
e antes outros comunistas
e antes ainda os velhos anarquistas
e antes negros quilombolas
antes ainda índios guerreiros
Vem pra rua nego
Mas aprende história
Olha no espelho e verás teu passado
Invade, ocupa as ruas
construímos estas avenidas
para que desfiles teu bloco
e teu samba
Passa com tuas confusas alegorias
ps: Um gigante sem rumo
será sempre dirigido pela pequena burguesia
E lembras que
quando a moda passa
quando o carnaval acaba
Pra fazer do samba a vida
e fazer samba todo dia
só fica a velha boemia
Fabio S. Massari
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