quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Enfrentamento

Encobre o rosto
para desmascarar o inimigo

Se quando em blocos ordeiros
a imprensa te incentiva
hesita
sois inofensivo

Mas quando em "minoria de baderneiros"
a policia te espanca
avança
agora, representas perigo


Fabio S. Massari

Aos que vem pra rua

Traz tuas mágoas
para juntar-se as nossas

Traz tua voz
e
teu canto

teus anseios
e
demandas

tuas pedras
e
bandeiras

Vem pra rua
Da qual nunca saímos

E oxalá nos permita
tua revolta não seja passageira

Vens reinaugurando as formas
de luta que construímos

Vem, mas vem com gosto
vem com classe

Saiba apenas que não inventas a roda
tão pouco inventas as lutas

O narcisismo de tuas jovens e vibrantes cores
não permitem a ti reconhecer-te
no que e velho e fosco

Mas antes de tu estávamos nós
e antes de nós, guerrilheiros
e antes outros comunistas
e antes ainda os velhos anarquistas
e antes negros quilombolas
antes ainda índios guerreiros

Vem pra rua nego

Mas aprende história

Olha no espelho e verás teu passado

Invade, ocupa as ruas
construímos estas avenidas
para que desfiles teu bloco
e teu samba

Passa com tuas confusas alegorias

ps: Um gigante sem rumo
será sempre dirigido pela pequena burguesia

E lembras que
quando a moda passa
quando o carnaval acaba

Pra fazer do samba a vida
e fazer samba todo dia
só fica a velha boemia

Fabio S. Massari

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Parto


A vida esta grávida do novo
o chão da ordem começa a ruir



Os burgueses querem a todo custo
impedir este parto

Os medianos temem perder seus farelos
e migalhas, declaram um natimorto

A santa igreja, com unhas e dentes
defende este aborto

E nos seremos os parteiros
em um caso, ou em outro
É preciso tomar posição
Reforma ou revolução?

Fábio Francisco

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ferida exposta

Em meu tempo há uma ferida exposta
e como pacto demagógico todos fingem não ver
não se ousa falar sobre ela
enquanto em meio a ela se convive
não se diz mesmo uma palavra acerca dela
nem mesmo quando ela se mostra aberta
e o cheiro putrefato das crianças mortas-vivas na calçada
atingem suas depiladas e cegas narinas
nem mesmo uma palavra é dita pois
como homens e mulheres de seu tempo respeitam o pacto
acerca das erupções do câncer externado
Não fosse o som dos saltos e dos engraxados sapatos
denunciarem um irritadiço e apressado acelerar de fuga
eu acreditaria que eles realmente não o notavam



Fábio Francisco

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Conselhos democráticos

Vote!!! Vote consciente,
vote certo Vote por interesse,
Ou vote por protesto
Vote por crença,
Vote por afeição
Vote por amizade,
Ou por centralização

Vote!!!

Pouco importa qual sua razão Vote!!!
Seja por ideologia,
Seja em troca de pão
É chegado seu grande dia

Faça valer a democracia,
vote!!!

Exerça sua cidadania
Seja cordeiro,
Digo, Seja ordeiro... e reto
Vote consciente, vote certo!!!
Independente ao resultado
Consolide a democracia
Exerça sua cidadania
As urnas cidadãos!!!
No dia X e na hora H,
Este é o seu momento
Sua (única) parte no espetáculo
Do (nosso) crescimento

Tenha em mãos números
E na cabeça um candidato
É, o seu momento, é sua grande cena
É de grande importância
Não tome por coisa pequena
Vote consciente, vote certo!!!
Depois volte pra casa
E deixe conosco o resto
Decidir os rumos da vida
Não é coisa de gente amena
Volte pro futebol, boteco
Loura-gelada e toda a sua alegria
Durma bem, e até outro dia Daqui dois
anos
Te convidamos Para outra grande festa
Mais um show de democracia


Fábio Che e Fernado Coelho

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Navegação

Navegação

Quando os ventos da vida
Afasta-nos da rota desejada
Relutamos,
Inutilmente
Praguejamos
E nos demoramos a perceber
Que toda rota tem sua poética
Até que mais calmos,
Deixamos a vida deliciosamente
O sabor dos ventos,
Da poesia à-de-ri-va
Bússolas, mapas e sextantes
Guardados
Sem ilusão de controle,
Nos resta sentir o mar em cores,
Ondas, aromas e sabores
A poesia encontra-se
Mais no caminho
Que no destino
Quando superamos as dores

(Fábio F. Massari)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Chamas... Tu me chamas e as chamas parecem já terem consumido tudo o pouco que sobrou de nós do efeito das chamas do tempo agora parecem escombros da fortaleza doutrora Eu te chamo Não percebendo que o tempo de nós dois já passou chamuscado vejo minhas lágrimas caírem ao solo em meio as cinzas do que fora nossa vida Chamo Chamas Mas em meio aos escombros e cinzas não conseguimos mais nos ouvir Não há nada de errado a vida apenas seguiu seu curso Tolice é acreditar que algo pode resistir a ação do tempo ao fluir, as transformações ao movimento De tudo que tínhamos a dizer restou apenas silêncio Em meus lábios surdos levarei a saudosa lembrança de teu mais apaixonado beijo hoje a solidão fora resposta ao desejo De um tempo em que o mundo não importava e éramos tu e eu consumidos pelas chamas do desejo Chamas Chamo Talvez sigamos recordando e inutilmente chamando um ao outro em meio as ruidosas e imprecisas estradas que nos reserva a vida Talvez o chamado não resista as primeiras esquinas vejo tudo se consumir en(quanto) chamas